O Brasil lança o primeiro plano nacional de arborização urbana
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima lançou oficialmente o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), o primeiro instrumento federal criado exclusivamente para orientar, estruturar e transformar a arborização das cidades brasileiras.
O documento é extenso, técnico, detalhado — e inaugura um novo paradigma: árvores deixam de ser tratadas como decoração e passam a integrar a infraestrutura essencial das cidades, com metas nacionais até 2045. Este plano é parte do Programa Cidades Verdes Resilientes, e dialoga diretamente com agendas globais ligadas ao clima, biodiversidade e justiça socioambiental.
É também um movimento de correção histórica: o Brasil é um dos países que mais perderam vegetação urbana nas últimas décadas, ao mesmo tempo em que 87% da população vive em cidades cada vez mais quentes e impermeáveis. O PlaNAU chega para mudar isso.
Segundo o documento oficial, o PlaNAU surge porque as cidades brasileiras enfrentam problemas estruturais que a arborização pode mitigar ou resolver:
- Ilhas de calor urbano cada vez mais intensas
- Perda de biodiversidade em ambientes urbanos
Enchentes, alagamentos e deslizamentos agravados pela impermeabilização - Poluição sonora e atmosférica em níveis críticos
- Desigualdades socioambientais — bairros periféricos são os mais quentes e os menos arborizados
- Baixa disponibilidade de dados e planejamento, o que impede ações de longo prazo
Como o plano foi construído
O PlaNAU nasce de um processo participativo nacional:
- 5.000 participações em oficinas virtuais
- 651 participantes em oficinas regionais presenciais
- 350 contribuições na consulta pública
- Parcerias com ICLEI, UFAL, INPA, SBAU, estados e municípios
- Envolvimento de arquitetos, urbanistas, engenheiros florestais, gestores públicos, pesquisadores e sociedade civil
- Isso é raro e significativo. O plano não é “de gabinete”: ele foi desenhado com as pessoas que vivem e manejam as cidades todos os dias.
O PlaNAU revela dados preocupantes:
- 33,7% dos brasileiros vivem em ruas sem nenhuma árvore.
- Municípios pequenos (< 20 mil hab.) têm a menor cobertura vegetal urbana do país.
- A Região Norte tem o maior percentual de cobertura vegetal urbana (39,6%), mas muito disso é remanescente florestal, não arborização planejada.
- A Região Sudeste tem a menor proporção (22,6%), reflexo da urbanização densa e histórica.
- Além disso, apenas 29,6% dos municípios que responderam ao levantamento possuem Plano Municipal de Arborização Urbana. Ou seja: a maior parte do Brasil ainda não planeja suas árvores.
Foto: Jaelson Lucas/SMCS – Agência Senado

